A disputa empatou. E o eleitor começou a fechar a porta.
Lula tem 40% e Flávio, 37%, no primeiro turno. No confronto direto, são 46% a 45%. A margem de erro mantém a corrida aberta; a consolidação do voto começa a estreitar as passagens.
A corrida presidencial continua aberta. O eleitor, nem tanto.
A pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira mostra Lula com 40% das intenções de voto no primeiro turno e Flávio Bolsonaro com 37%. A diferença de três pontos está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
No segundo turno, a distância encolhe para um ponto: Lula tem 46% e Flávio, 45%. É empate técnico outra vez.
O dado que muda o enquadramento não está apenas no placar. Entre os 93% que escolheram algum candidato no primeiro turno, 84% afirmam que a decisão já está tomada. Outros 15% dizem que ainda podem mudar.
A margem de erro mantém a porta aberta. O eleitor começa a encostar a cadeira nela.
O empate aparece nas duas etapas
No principal cenário estimulado de primeiro turno, Augusto Cury aparece com 6%, Ronaldo Caiado com 5%, Renan Santos com 3% e Romeu Zema com 1%. Samara Martins também registra 1%; os demais nomes ficam abaixo desse patamar.
Brancos, nulos ou nenhum somam 4%, e 2% não souberam ou não responderam. A pesquisa espontânea, sem a apresentação da lista de candidatos, coloca Lula com 40% e Flávio com 34%.
Nas simulações de segundo turno, Lula e Caiado aparecem numericamente empatados em 45%. Contra Cury, o presidente marca 44% e o escritor, 43%. Lula abre vantagem maior diante de Zema, por 47% a 41%, e de Renan, por 47% a 39%.
Esses confrontos medem respostas a hipóteses diferentes. Não demonstram que todos os adversários tenham a mesma probabilidade de alcançar o segundo turno.
O voto está mais firme que o placar
A consolidação é especialmente alta entre os dois líderes. Dos entrevistados que escolheram Lula, 90% dizem que não pretendem mudar. Entre os eleitores de Flávio, são 92%.
Isso não torna a campanha imóvel. Significa que faltam menos eleitores disponíveis para uma mudança e que cada deslocamento pode ganhar peso num confronto decidido dentro da margem.
A rejeição ajuda a explicar o bloqueio: 50% dizem que não votariam em Flávio de jeito nenhum; Lula registra 49%. Os dois principais candidatos disputam a preferência e carregam resistências de tamanho semelhante.
O que a BROOM vê
A tentação é procurar uma virada a cada rodada. Esta pesquisa oferece algo menos cinematográfico e mais útil: a confirmação de uma disputa apertada com eleitorados cada vez mais consolidados.
Na rodada anterior da BTG/Nexus, Lula tinha 42% e Flávio, 37% no primeiro turno. Agora, Lula aparece com 40% e Flávio mantém os 37%. No segundo turno, ambos recuam um ponto: de 47% a 46% para 46% a 45%.
Oscilação dentro da margem não é prova de tendência. Para identificar movimento, será preciso observar novas rodadas da mesma série — e não montar uma pesquisa imaginária com pedaços de institutos diferentes.
O Datafolha divulgado em 17 de setembro também encontrou empate técnico, com Lula em 39% e Flávio em 36% no primeiro turno e 46% a 44% no segundo. A convergência reforça a leitura de uma corrida apertada, mas não transforma os levantamentos numa série única: amostras, métodos e datas de campo são próprios de cada instituto.
A duas semanas do primeiro turno, a eleição não tem vencedor estatístico antecipado. Tem dois blocos resistentes, pouca distância e um corredor cada vez mais estreito para quem ainda tenta passar.
Ficha técnica e transparência
- Instituto: Nexus; contratante: BTG Pactual.
- Amostra: 2.006 eleitores com 16 anos ou mais, nas 27 unidades da Federação.
- Método: entrevistas por telefone, via CATI.
- Campo: 18 a 20 de setembro de 2026.
- Margem de erro: ±2 pontos percentuais.
- Nível de confiança: 95%.
- Registro no TSE: BR-00485/2026.
Os resultados e a ficha técnica foram conferidos na divulgação do próprio instituto e cruzados com a cobertura jornalística. Registro no TSE não significa aprovação dos resultados pela Justiça Eleitoral.
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