Atlas encurta a distância. Mas o empate que importa continua de pé.
Lula abre 2,4 pontos sobre Flávio no primeiro turno, mas os dois aparecem separados por apenas 0,3 ponto numa eventual segunda rodada.
Quando a pesquisa simula o segundo turno, porém, a distância praticamente desaparece. Lula registra 47,7% e Flávio, 47,4%. Os 0,3 ponto que os separam não configuram vantagem estatística. Brancos, nulos e eleitores que não souberam responder somam 4,9%.
O primeiro turno abre uma fresta. O segundo fecha a eleição outra vez.
Uma liderança que precisa ser lida com cuidado
No primeiro turno, Renan Santos (Missão) aparece em terceiro lugar, com 4,5%. Augusto Cury (Avante) tem 2,1%; Ronaldo Caiado (PSD), 1,3%; e Romeu Zema (Novo), 0,9%. Outros candidatos somam 0,8%, enquanto brancos e nulos representam 0,7% e os indecisos, 0,5%.
Os números colocam Lula à frente no cenário testado, mas não autorizam a tratar a eleição como resolvida. A concentração de votos nos dois primeiros colocados deixa pouco espaço para os demais candidatos e torna cada oscilação relevante, sobretudo numa reta final em que decisões de voto e estratégias de voto útil podem alterar o quadro.
A inversão numérica não é uma virada
Na rodada anterior, Flávio Bolsonaro tinha 47,2% no segundo turno e Lula, 46,8%. Agora, Lula aparece numericamente à frente. As duas movimentações, contudo, ocorreram dentro da margem de erro. Por isso, a formulação correta não é que houve uma virada, mas que o empate técnico ganhou nova ordem numérica.
Essa distinção importa. Pesquisas são retratos produzidos por amostras e carregam incerteza estatística. Uma diferença de décimos não permite afirmar que um candidato ultrapassou o outro de maneira consolidada.
Os outros confrontos
Nas demais simulações de segundo turno, Lula marca 47,6% contra 42,2% de Romeu Zema; 46,6% contra 44% de Ronaldo Caiado; 46,2% contra 39,4% de Augusto Cury; e 46,5% contra 31,2% de Renan Santos.
O confronto com Caiado é o mais apertado depois do duelo entre Lula e Flávio. Ainda assim, é a polarização entre PT e PL que domina o levantamento e organiza a reta final da campanha.
O que a BROOM vê
A Atlas mostra uma disputa com comportamentos diferentes em cada etapa. Lula sustenta uma vantagem mensurável no primeiro turno, enquanto um eventual segundo turno começaria sem favorito estatístico. O dado mais importante não é a troca de posição decimal, mas a persistência de um eleitorado dividido quase ao meio.
O levantamento ouviu 5.015 eleitores entre 17 e 22 de setembro de 2026, por recrutamento digital aleatório. A margem de erro é de um ponto percentual, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-04739/2026.