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RADAR ELEITORAL

Atlas encurta a distância. Mas o empate que importa continua de pé.

Lula abre 2,4 pontos sobre Flávio no primeiro turno, mas os dois aparecem separados por apenas 0,3 ponto numa eventual segunda rodada.

Redação BROOM3 min de leitura
A nova rodada da AtlasIntel/Bloomberg chega a menos de duas semanas do primeiro turno com uma fotografia que exige duas leituras ao mesmo tempo. Na disputa inicial, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 45,8% das intenções de voto, contra 43,4% de Flávio Bolsonaro (PL). A diferença de 2,4 pontos percentuais fica acima da margem de erro de um ponto.


Quando a pesquisa simula o segundo turno, porém, a distância praticamente desaparece. Lula registra 47,7% e Flávio, 47,4%. Os 0,3 ponto que os separam não configuram vantagem estatística. Brancos, nulos e eleitores que não souberam responder somam 4,9%.


O primeiro turno abre uma fresta. O segundo fecha a eleição outra vez.


Uma liderança que precisa ser lida com cuidado


No primeiro turno, Renan Santos (Missão) aparece em terceiro lugar, com 4,5%. Augusto Cury (Avante) tem 2,1%; Ronaldo Caiado (PSD), 1,3%; e Romeu Zema (Novo), 0,9%. Outros candidatos somam 0,8%, enquanto brancos e nulos representam 0,7% e os indecisos, 0,5%.


Os números colocam Lula à frente no cenário testado, mas não autorizam a tratar a eleição como resolvida. A concentração de votos nos dois primeiros colocados deixa pouco espaço para os demais candidatos e torna cada oscilação relevante, sobretudo numa reta final em que decisões de voto e estratégias de voto útil podem alterar o quadro.


A inversão numérica não é uma virada


Na rodada anterior, Flávio Bolsonaro tinha 47,2% no segundo turno e Lula, 46,8%. Agora, Lula aparece numericamente à frente. As duas movimentações, contudo, ocorreram dentro da margem de erro. Por isso, a formulação correta não é que houve uma virada, mas que o empate técnico ganhou nova ordem numérica.


Essa distinção importa. Pesquisas são retratos produzidos por amostras e carregam incerteza estatística. Uma diferença de décimos não permite afirmar que um candidato ultrapassou o outro de maneira consolidada.


Os outros confrontos


Nas demais simulações de segundo turno, Lula marca 47,6% contra 42,2% de Romeu Zema; 46,6% contra 44% de Ronaldo Caiado; 46,2% contra 39,4% de Augusto Cury; e 46,5% contra 31,2% de Renan Santos.


O confronto com Caiado é o mais apertado depois do duelo entre Lula e Flávio. Ainda assim, é a polarização entre PT e PL que domina o levantamento e organiza a reta final da campanha.


O que a BROOM vê


A Atlas mostra uma disputa com comportamentos diferentes em cada etapa. Lula sustenta uma vantagem mensurável no primeiro turno, enquanto um eventual segundo turno começaria sem favorito estatístico. O dado mais importante não é a troca de posição decimal, mas a persistência de um eleitorado dividido quase ao meio.


O levantamento ouviu 5.015 eleitores entre 17 e 22 de setembro de 2026, por recrutamento digital aleatório. A margem de erro é de um ponto percentual, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-04739/2026.

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